“SEREMOS ESCRAVOS OU HOMENS LIVRES?”

A pergunta é feita ao final do discurso de Viktor Orbán, Primeiro Ministro da Hungria e membro da Igreja Reformada Húngara (Magyarországi Református Egyház). A preleção sintetiza com clareza algumas das razões do Reino Unido ter deixado a União Europeia, o que reforça movimentos similares na Holanda, França, Suécia e Itália: perda de parcela da soberania nacional em área vitais como saúde, economia e educação, fim da autoridade sobre questões imigratórias e de parte da política externa, além da submissão de cada país a políticas ditadas por uma burocracia não eleita da cidade de Bruxelas, sede da União Europeia.

O REINO UNIDO E A UNIÃO EUROPEIA

Este é um dos melhores textos que li sobre a saída do Reino Unido da União Europeia, escrito pelo português João Pereira Coutinho, publicado na Folha de São Paulo (21/06/2016). A conclusão é um fecho de ouro ao ensaio.

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“O PROJÉTIL EUROPEU”
E agora? O Reino Unido sai ou fica na União Europeia? Aviso já: não confio em pesquisas. Muito menos inglesas. Basta recordar as últimas eleições gerais: David Cameron estava morto e enterrado. Na hora da contagem, Cameron vencia com estrondo.

Não confio em pesquisas inglesas, repito. Mas espero, de alma e coração, que Londres abandone o bloco. Heresia?

Provavelmente: lemos a cobertura midiática sobre o plebiscito da próxima quinta-feira e a telenovela é uniforme: a “pérfida Albion” não quer imigrantes, não quer refugiados –e só pensa, ó criminosa!, em abandonar o “projeto europeu” que garantiu meio século de paz na Europa (a presença americana no continente, com seus mísseis apontados a Moscou, nunca é referida, para não estragar o filme).

Além disso, com a crise da zona do euro longe da resolução, Londres não deseja contribuir para pacotes de resgate que, além de ilegais, não têm tido grande sucesso.

Entendo a histeria. Mas, se me permitem advogar pelo diabo, será que um país supostamente livre e independente tem o direito de decidir a sua política econômica? Mais ainda: será que um país soberano pode escolher, democraticamente, a sua política de imigração e acolhimento?

As perguntas não são retóricas. São fundamentais para entender os defensores do “Brexit”. E um bom exemplo é o eurodeputado Daniel Hannan, que escreveu o seu “Why Vote Leave” com uma racionalidade que eu não vejo nos defensores amedrontados da permanência.

Para Daniel Hannan, o plebiscito reflete, acima de tudo, o desconforto de uma parte do Reino Unido com a “supremacia legal” da União Europeia. Devem os países do bloco ser governados “de facto” por uma Comissão Europeia que ninguém elegeu –ou esse papel cabe aos parlamentos dos diferentes estados?

Esta pergunta, que pode parecer bizarra a almas pouco democráticas, é inseparável da própria história inglesa. Em especial, da sua tradição de liberdades que sempre se fez contra a autoridade ilimitada do soberano.

Como lembra Daniel Hannan (e bem), quando o baronato medieval se reuniu em Runnymede, em 1215, para assinar a Magna Carta, o que estava em causa não era apenas garantir direitos e privilégios para a nobreza nativa. Era também afirmar que o rei John não estava acima da “rule of law” em matérias que lidam com a vida, a liberdade e a propriedade dos “homens livres” do reino.

E se é verdade que o parlamento, nos séculos seguintes, foi sobretudo um órgão de consulta e ratificação das decisões reais (como, ironicamente, é hoje o parlamento europeu face à hiperatividade legislativa dos comissários), a partir do século 17 a fonte da autoridade legal passou a estar incontestavelmente em Westminster. Essa autoridade nasceu, convém lembrar, com Revolução Gloriosa de 1688 que não hesitou em depor a “tirania católica” de James 2º.

Os ingleses que defendem o “Brexit” nunca se opuseram a um mercado comum. O que eles não toleram, porque nunca toleraram, é a existência de um poder exterior que suplanta e marginaliza o papel secular do parlamento.

“Os pais fundadores da União Europeia”, escreve Hannan em observação certeira, “tinham uma experiência ambígua com a democracia –especialmente com as variantes populista e plebiscitária que se multiplicaram entre as guerras.” E conclui: “Demasiada democracia estava associada, nas suas mentes, a demagogia e fascismo”.

Escusado será dizer que essa não foi a experiência inglesa do século 20. A Alemanha e a França deveriam recordar que foi a plena democracia inglesa que ajudou a derrotar a primeira e a salvar a segunda.

É também por isso que espero pela saída do Reino Unido. A utopia federal que a União Europeia persegue é clara, e creio que irreversível. E essa utopia implica a rendição das soberanias nacionais a um único poder burocrático, centralizado – e incontrolado.

Fatalmente, esse processo poderá despertar, como sempre despertou no passado, o exato tipo de nacionalismos venenosos que os “pais fundadores” procuraram suplantar.

Se isso acontecer, será importante que a “pérfida Albion” esteja ao longe, na sua ilha. Porque, aqui entre nós, a Inglaterra sempre foi decisiva para salvar os europeus deles próprios.

REINO UNIDO DEIXA A UNIÃO EUROPEIA

O movimento “Brexit” (abreviação de “British Exit”, “Saída Britânica”) venceu o referendo, e com isso o Reino Unido deixará a União Europeia (UE), ao qual aderiu em 1973. Numa disputa acirrada, 51,9% votaram pela saída, enquanto 48,1% votaram pela permanência. Esta decisão conduzirá o país e a UE a uma negociação de pelo menos dois anos para definir os termos desta separação.

Com a saída da UE, o Reino Unido poderá negociar livremente uma nova relação comercial não somente com os países membros da UE, mas com outros países importantes, como China, Índia e EUA, estando livre das regras do bloco. O país também poderá retomar o controle de áreas como legislação trabalhista, saúde e segurança.

Por outro lado, espera-se turbulências nos próximos anos, que atingirão especialmente a Europa, em áreas como cooperação política, militar, econômica, social e cultural. Também haverá impacto na imigração e controle de fronteiras, e só o tempo dirá quais mudanças ocorrerão nesta área sensível.

Um problema que surgirá quase imediatamente é a situação da Escócia. Há dois anos um referendo em favor da independência deste país do Reino Unido foi derrotado. Já que a maior parte da população escocesa votou a favor da permanência na UE, o país poderá requerer novamente a separação, para voltar ao bloco.

Por outro lado, o exemplo do Reino Unido poderá levar outros países do continente a convocarem pleitos para decidirem por uma eventual saída da UE, o que reforçará o conceito de Estados soberanos, em detrimento do projeto supranacional europeu.

 REINO UNIDO E UNIÃO EUROPEIA

12 DE MAIO DE 2016: UM DIA PARA NÃO ESQUECER!

A música Wind of Change, da banda alemã Scorpions, de 1990, celebra a glasnost na União Soviética, o fim da Guerra Fria e a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989.

“The wind of change blows straight
Into the face of time
Like a stormwind that will ring
The freedom bell for peace of mind
Let your balalaika sing
What my guitar wants to say

Take me to the magic of the moment
On a glory night”

Que venham os ventos de mudança!

[Esta música é parte de “Acoustica”, o concerto acústico do Scorpions gravado em fevereiro de 2001, no Convento do Beato, em Lisboa, Portugal]

ESQUERDA E AMÉRICA LATINA

A esquerda tornou a América Latina a vanguarda do atraso, com seus sistemáticos ataques ao estado de direito, liberdade de expressão, corrupção sistêmica, violência desenfreada, etc. No Brasil, durante 20 anos (pelo menos!) foi a “ditadura do pensamento único”, silenciando opositores por meio da perseguição, calúnia, difamação, desqualificação, do assassinato de reputações. E os esquerdistas reclamam quando quem discorda deles não tem interesse em diálogo ou debate?

– Eles não entenderam que hoje qualquer palavra vinda da esquerda só desperta empatia na militância, é mera pregação aos “convertidos”.

[Foto: Em 8 de dezembro de 2013, ucranianos irados destruíram uma estátua de Lênin, em Kiev.]

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CRISTÃOS PODEM PARTICIPAR DE PROTESTOS CONTRA O GOVERNO?

Livro que reúne cinco ensaios de Wayne Grudem e Barry Asmus, tratando de temas instigantes e relevantes, tais como: “os cristãos devem influenciar positivamente o governo?”, “o papel do governo na regulação do mercado e a desigualdade econômica”, “direitos de propriedade inerentes ao oitavo mandamento são necessários para a prosperidade humana” e “qual o risco para os negócios se perdermos uma cosmovisão cristã?”

O terceiro ensaio, “é correto o cristão participar de atos de desobediência civil, protestos públicos e tentativas de mudar o governo em situações específicas?”, é sensacional, e vale o livro inteiro. Foi uma das palestras proferidas por Grudem no 10º Congresso de Teologia Vida Nova.

Uma citação:

De acordo com Greg Foster, da Kern Foundation, estudioso especialista em história da teoria do governo, um argumento comum entre os autores cristãos [do passado] era o de que um ‘governo’ tirano ‘não é, de fato, um governo verdadeiro, mas uma quadrilha de criminosos que se faz passar por governo e, portanto, não pode reivindicar a obediência devida aos governos (legítimos)’. Outro argumento era o de que ‘o princípio do estado de direito […] implica o direito à rebelião’ (…). Presumo que a ideia que serve de base para esse argumento é a de que nenhum governante humano pode violar de modo flagrante a lei e agir como se não fosse sujeito a ela.

Wayne Grudem e Barry Asmus, Economia e política na cosmovisão cristã (SP: Vida Nova, 2016), p. 68.

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DOMINGO DE PÁSCOA NO ORIENTE MÉDIO

Ontem, domingo de Páscoa, quando os cristãos celebram a ressurreição de nosso Senhor Jesus Cristo, ocorreu o que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, chamou de “espantoso ato de terrorismo” no Paquistão, em Lahore, a segunda maior cidade do país. Um homem-bomba islamita matou 72 pessoas do lado de fora de um parque público. Outras 340 ficaram feridas. A maioria das vítimas eram mulheres e crianças. Corpos ainda estavam sendo retirados do local e os números podem subir nas próximas horas. Uma facção do Talibã assumiu a autoria do atentado e afirmou que o alvo era a minoria cristã do país, que é majoritariamente muçulmano. A facção talibã fez ameaças de realizar novos ataques terroristas.

Em 2003, quando os EUA invadiram o Iraque, havia no país cerca de 1,5 milhão de cristãos. Hoje há apenas alguns milhares. Alvo declarado do Estado Islâmico, a minoria cristã iraquiana encolhe a cada dia e celebrou a Páscoa com medo neste domingo na capital, Bagdá. Em 2014, os cristãos de Mossul foram forçados a fugir para a capital, quando o Exército Islâmico capturou a cidade. Os islamitas destruíram locais sagrados, alguns deles datados do início da fé cristã, e confiscaram bens. Os cristãos que ficaram em Mossul foram assassinados. Como o padre Muyessir al-Mukhalisi, um dos poucos a permanecer no país, afirmou: “Estamos ameaçados de extinção. É uma palavra dura, mas a cada dia estamos acabando. Nosso povo está emigrando”.

“Até quando, SENHOR? Tu te esquecerás de mim para sempre? Até quando esconderás o rosto de mim? Até quando relutarei dia após dia, com tristeza em meu coração? Até quando o meu inimigo se exaltará sobre mim? (…) Mas eu confio na tua misericórdia; meu coração se alegra na tua salvação.” (Sl 13.1-2, 5)

“Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que haviam sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que deram. Eles clamaram em alta voz, dizendo: Ó Soberano, santo e verdadeiro, até quando aguardarás para julgar os que habitam sobre a terra e vingar o nosso sangue?” (Ap 6.9-10)

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DÉCIMO CONGRESSO DE TEOLOGIA VIDA NOVA

Com Wayne Grudem, no 10.º Congresso de Teologia Vida Nova. Ontem ele tratou do importantíssimo tema da desobediência civil, mostrando sua base bíblica, e em como tal ação do povo diante de um governo iníquo tem suas origens na teologia reformada – com a qual, a atual teologia católica concorda.

Ao fim da palestra, na parte prática, Grudem citou uma lista imensa de cristãos norte-americanos que têm pago um alto preço por desobedecer ordens das autoridades que contradizem a única Palavra de Deus, as Escrituras. Ele citou nomes de cristãos e casos específicos, prestando homenagem a cada um deles, crentes simples, que trabalham como floristas, tabeliães, bombeiros, médicos, confeiteiros, etc. Foi tocante.

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“SOCIALISMO DEMOCRÁTICO”

Garry Kasparov, um dos maiores jogadores de xadrez de todos os tempos, dando xeque-mate na legião de bobocas que idolatra Bernie Sanders e o ‘socialismo democrático’:

Estou gostando da ironia dos apoiadores de Sanders me dando lições, eu que sou um ex-cidadão soviético, sobre as glórias do socialismo e o que ele realmente significa! Socialismo parece ótimo em discursos ocos e no facebook, mas por favor o deixe lá. Na prática, ele corrói não só a economia, mas o espírito humano em si, e a ambição e conquista que fizeram o capitalismo moderno possível e tiraram bilhões de pessoas da pobreza. Falar sobre o socialismo é um grande luxo, um luxo que foi pago pelos sucessos do capitalismo. Desigualdade de renda é um enorme problema, sem dúvida. Mas a ideia de que a solução é mais governo, mais regulação, mais dívida, e menos risco é perigosamente absurda.

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