PILARES DA FÉ – A ATUALIDADE DA MENSAGEM DA REFORMA

Capa de meu novo livro, uma exposição dos cinco lemas da Reforma Protestante do século 16 – somente a Escritura, Cristo, a graça, a fé e a glória de Deus – e sua atualidade para nós.

O livro, que será lançado por Edições Vida Nova, terá apresentações de Solano Portela e Marcel van Hattem.

A estimativa de lançamento é para maio deste ano.

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CUIDADO COM O ALEMÃO!

Edições Vida Nova acaba de lançar no Brasil o livro de Tiago Cavaco, “Cuidado com o alemão”, a propósito dos 500 anos da Reforma Protestante.

A obra pode ser adquirida nas livrarias ou diretamente com Vida Nova: http://bit.ly/2lw60m7

Segue trechos da apresentação brasileira desta ótima obra, que tive o privilégio de fazer:

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O que aprender de Martinho Lutero, um pregador, professor e escritor cristão alemão que escreveu com “som e fúria” há 500 anos atrás, numa época de convulsão e transição, na Europa Central?

É a essa questão que se propõe responder Tiago Cavaco, pastor batista que serve na Igreja da Lapa, na belíssima Lisboa, capital de Portugal, “a proa da Europa”, e que nos séculos 15 e 16 – a mesma época que forjou Lutero – se tornou “o primeiro império global”.

Nesta nova obra, Tiago oferece-nos um panorama da vida de Lutero, tratando da gênese da palavra “protestante” e enfatizando a justificação graciosa recebida pela fé somente […], “a doutrina que dá aos protestantes a sua exuberância”, como diz o autor, e o tema central da Reforma Protestante, redescoberta a partir da ênfase na suficiência da Escritura Sagrada […].

Posto isso, o autor se debruça sobre três questões importantes da Reforma alemã do século 16 para nós, na atualidade.

O que o autor chama de a “primeira dentada” que Lutero dá em nossa época é o entendimento bíblico e reformado sobre a maldade que impera em nossos corações, quando sem Deus e sem Cristo no mundo. […]

Na “segunda dentada” de Lutero, Tiago aborda a importância que o reformador alemão dava ao ensino, especialmente à educação dos nossos filhos. […]

A “terceira dentada” de Lutero, dada em nossa época, relaciona-se com a música e as artes em geral. […]

Como Tiago afirma, provocadoramente, em certa parte do livro, “todos os pastores protestantes que nunca leram sermões de Lutero deviam ser despedidos. E envergonhados publicamente”. […]

O leitor encontrará, também, abundantes referências culturais, como músicas, filmes, livros clássicos e populares, numa criativa e perceptiva interação com a cultura – o que pressupõe robusto entendimento da graça comum e do mandato cultural. […]

Se o leitor está desconfortável diante da crise e mal estar que grassa na cultura ocidental e também se aflige com o estado das igrejas cristãs, e ainda assim, clama por “algo para acreditar”, esta preciosa obra de Tiago Cavaco o ajudará a encontrar o Senhor nos Altos Céus, que se agrada de responder por meio de Cristo as orações daqueles que clamam com fé, perdoando e sustentando por sua graça graciosa.

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IGREJA E CONFESSIONALIDADE

A igreja cristã é chamada a confessar sua fé (Mt 10.32-33; Rm 10.9-10). Tal afirmação solene pode e deve ser expressa por meio de confissões de fé, que são afirmações dos pontos essenciais da fé cristã, com as quais se espera que os cristãos concordem.

Uma confissão de fé que tem sido empregada por igrejas independentes é a Declaração de Fé da Coalizão Evangélica (The Gospel Coalition, TGC):http://www.ministeriofiel.com.br/declaracao_fe.

A Igreja da Trindade, em São José dos Campos-SP, que adotou esta Declaração de Fé, tem estudado seus artigos em suas reuniões semanais.

Para igrejas e ministérios que adotam esta declaração de fé, recomendo o livro “O Evangelho no Centro”, organizado por D. A. Carson e Timothy Keller e publicado pela Editora Fiel, como um texto de apoio para aqueles que quiserem ensinar ou aprofundar os temas desta Declaração.

Como Carson e Keller afirmam no primeiro capítulo do livro, escrito por ambos: “Procuramos identificar e fortalecer o centro evangélico confessional. Cremos que importantes aspectos do entendimento histórico do evangelho bíblico estão a perigo de ficarem desordenados ou perdidos na maioria de nossas igrejas atuais. Isso inclui a necessidade do novo nascimento, justificação somente pela fé, e expiação pela propiciação e morte substitutiva de Cristo. Procuramos manter e fortalecer nosso entendimento dessas doutrinas, não apenas citando as grandes formulações teológicas do passado, mas também mediante continua e renovada interação com a própria Escritura, trabalhando juntos para produzir a Declaração Confessional da Coalizão Evangélica. […] Um de nossos alvos era extrair nossa linguagem tanto quanto possível da própria Bíblia. […] Para manter a unidade entre nós e persuadir os nossos leitores, procuramos expressar nossa fé, no quanto foi possível, em categorias bíblico-teológicas. […] Somos unidos pela convicção de que aquilo que nos une – os componentes doutrinários centrais do evangelho — e muito mais importante do que aquilo que nos divide” (p. 11-12, 14).

[No link da Editora Fiel a parte de “Afirmações e Negações” não faz parte da Declaração de Fé]

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O DEVER DE RELEMBRAR O HOLOCAUSTO: “TESTAMENTO”

Durante a II Guerra Mundial, cerca de 6 milhões de judeus foram assassinados pelo regime nacional-socialista alemão em campos de extermínio (Vernichtungslager) espalhados sobretudo no leste europeu, construídos especificamente para a matança organizada – e que devem ser distinguidos dos campos de concentração (Konzentrationslager).

A história de “Testamento” começa em 1936 e segue até 1945, cobrindo a ascensão política do nacional-socialismo na Alemanha, passando pelo recrudescimento do antissemitismo, a invasão da Polônia e, finalmente, o extermínio sistematizado dos judeus. E este é o pano de fundo para se recontar a juventude de Magneto, antes da manifestação de seus poderes mutantes e dele se tornar o maior vilão dos X-Men – uma origem bem diferente da retratada no primeiro filme dos X-Men (2000).

O garoto, de família judia vivendo na Alemanha, presenciou os horrores da Segunda Guerra Mundial e foi levado para o campo de extermínio de Auschwitz, onde trabalhou como Sonderkommando e viu milhares de prisioneiros serem dizimados – somente em Auschwitz foram mortos cerca de 1,1 milhão de judeus, poloneses e prisioneiros soviéticos.

O que torna esta história bem realista é que tudo o que acontece na história aconteceu realmente – há dezenas de referências a acontecimentos reais da II Guerra Mundial –, tirando a história de Max Eisenhardt (o verdadeiro nome de Magneto). “Testamento”, além de leitura obrigatória para os fãs dos X-Men, é excelente recurso para ensinar a estudantes do ensino médio e fundamental sobre os terrores que acompanham a ascensão de regimes populistas e totalitários, tais como o Holocausto.

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UM MODELO DE MATURIDADE CRISTÃ

Edições Vida Nova lançou mais uma obra de D. A. Carson, que será será um dos preletores do 19º Encontro para a Consciência Cristã, que acontecerá de 23 a 28 de fevereiro de 2017, em Campina Grande, na Paraíba (para mais informações: http://goo.gl/7HJ5DT).

O objetivo desta nova obra é encorajar os cristãos a não somente ler a Bíblia em seu contexto histórico e teológico, mas também a aplicá-la, com sensibilidade e discernimento, à sua vida e à igreja de hoje.

D. A. Carson espera também que alguns leitores, assim como ele, venham a amar Paulo. É ínfimo o risco de esse amor tornar-se idólatra, pois quem conhece o apóstolo aprende que ele não coloca “pedra de tropeço no caminho de ninguém” (2Co 6.3).

Pode-se ler mais sobre a obra ou adquiri-la:http://bit.ly/2kzN0mF

#DACarson #edicoesvidanova

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“TRADUTTORE, TRADITORE”

A obra Conquistadores, de Roger Crowley, é ótima. É a narrativa de como Portugal construiu um grande império marítimo, dando origem à primeira economia global. São abordadas a supremacia marítima de Portugal, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, as vitórias sobre governantes muçulmanos e o domínio do comércio das especiarias. O autor também destaca personalidades como D. Manuel I, D. João II, Afonso de Albuquerque e Vasco da Gama. É um relato essencial e atualizado de como uma das menores e mais pobres nações da Europa pôs em movimento as forças da globalização que hoje dão forma ao mundo. E, como o autor sugere, o mundo tal como o conhecemos, e que começou a ser construído pelas viagens dos portugueses, está acabando.

A edição brasileira, da Editora Planeta, ficou muito melhor que a edição portuguesa, com capa dura e imagem mais bonita que a capa de lá.

Mas cometeu-se um erro grosseiro na tradução (provavelmente ocasionado por falta de revisão especializada).

Na p. 384 se lê, a respeito de Luiz de Camões, autor de Os Lusíadas: “enquanto seu amante chinês se afogava” (while his Chinese lover drowned, no original).

Na verdade, a frase deve ser traduzida como: “enquanto sua amante chinesa se afogava”.

O nome da amante chinesa de Camões, que faleceu num naufrágio no delta do Mekong enquanto ele salvava o manuscrito de sua obra mais famosa, é conhecido: Tin Nam Men ou Dinamene. Ela é a inspiração de dois sonetos lindíssimos do grande poeta português: “Alma minha gentil, que te partiste…” e “Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste…”.
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Tomara que tal erro venha a ser corrigido em uma revisão posterior.

Mas não me animo muito. Escrevi para três e-mails de contato da editora – e não recebi nenhuma resposta.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

A ORIGEM DO MAL: CAVEIRA VERMELHA

“Caveira Vermelha – encarnado” reconta a origem do grande inimigo do Capitão América. A história se inicia em 1923, quando a república alemã de Weimar afundou no caos, e o Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães (Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei) lutou para chegar ao poder num país mergulhado no colapso econômico, crise política e violência implacável.

Em uma interpretação realista da história alemã, Greg Pak explora o que faz com que uma pessoa se torne um monstro. Para cada alemão que resistiu à ascensão do nazismo, houve muitos outros que a aceitaram e apoiaram, e houve também aqueles que ascenderam sob o discurso político de Adolf Hitler. Portanto, o que é apresentado ao leitor é um conto de desespero e traição, onde somente os poderosos prosperarão, não os justos ou éticos.

Nas histórias em quadrinhos da Marvel Comics o Caveira Vermelha é a personificação do ódio e do mal do início do século 20, e esta obra não oferece nenhuma desculpa para isso; na verdade, esta é apresentada de forma crua e perturbadora, ao usar como pano de fundo a Alemanha nas décadas de 1920-1930. Para alguns leitores, o uso da história da ascensão nazista pode ser muito inquietante, mas o autor intenta destacar a brutalidade política que conduziu ao surgimento do Terceiro Reich.

Se você é fã do Capitão América, ou mesmo interessado no estudo da II Guerra Mundial, esta é uma leitura obrigatória (o autor chega a oferecer uma bibliografia comentada, que serviu de base para a obra). Na verdade, este é um ótimo recurso para ajudar alunos do ensino médio a entenderem e se precaverem contra o discurso sedutor do totalitarismo, o mal político sem par do século 20.

 CAVEIRA DO MAL

NOVE MARCAS DE UMA IGREJA SAUDÁVEL

Nestas últimas décadas, uma característica marcante da história da igreja no Brasil é a impressionante proliferação de manuais de crescimento de igreja. Muitos e diferentes modelos possíveis são sugeridos, com a promessa implícita de que, uma vez posto em prática, a igreja crescerá. Parodiando um dito já famoso, se os pastores se dedicassem integralmente à leitura desses materiais, pouco tempo lhes restaria para edificar a igreja.

O que tem acontecido é, em alguma medida, uma aplicação da velha heresia pelagiana à doutrina da igreja. Absorvendo acriticamente a suposição da bondade intrínseca do homem, age-se na confiança de que certo método de crescimento, uma vez posto em prática, pode fazer a igreja crescer e se tornar relevante. Ainda que se suplique pela vinda do Espírito, este, aparentemente, não desempenha um papel central. Isso parece não somente a capitulação a uma heresia, mas também uma rendição à modernidade, à presunção de que devoção e igreja podem crescer ou ganhar forma por meio de processos mecânicos de aplicação supostamente universal.

É desnecessário dizer que, no processo de implementação desses modelos, não raro as igrejas deixam de ser igreja, e os pastores deixam de ser pastores. É difícil resistir à conclusão de que, enquanto os pastores começam a se portar como “burocratas eclesiásticos” — citando a perceptiva afirmação de Peter Berger — os membros são vistos apenas como funcionários, que só têm importância se servirem à estrutura organizativa. Esses deixam de ser vistos como pessoas (com nome, história e dilemas) que se reúnem para adorar e serem cuidadas e passam a ser vistos de forma impessoal, como “indivíduos” que só têm utilidade à hierarquia eclesiástica na medida em que cooperam para o crescimento da igreja ou servem em sua estrutura.

Esta nova série de Vida Nova está na direção oposta da esmagadora maioria desses manuais. Aliás, “manual” é o que o leitor não encontrará nesses livros. O que os autores mostrarão, a partir das Escrituras, é que a igreja contemporânea necessita não de descobrir outro método novo, e sim de redescobrir as marcas que caracterizam uma igreja saudável, que cresça para a glória de Deus. Já que esses livros não são manuais, não espere encontrar neles uma resposta à recorrente pergunta: “Como posso praticar isso em minha igreja”? É isso que os manuais pretendem responder. O que você encontrará nessas obras não são um receituário metodológico, e sim uma exposição bíblica e prática das marcas que caracterizam uma igreja genuinamente saudável. Os autores argumentam que implementar estas nove marcas bíblicas exigem compromisso. Por isso, estes são livros para serem lidos com atenção e meditação, pregadas e ensinadas à igreja, de tal modo que elas sirvam como balizas para o ministério e vida da igreja.

Podem ser adquiridos diretamente com Vida Nova ou nas boas livrarias:https://vidanova.com.br/search…

NOVE MARCAS

O DIA D E O “JÁ” E O “AINDA NÃO”.

Hoje comemora-se os 72 anos de uma das batalhas decisivas da Segunda Guerra Mundial: em 6 de junho de 1944, os exércitos dos Estados Unidos, Inglaterra, Canadá e outros aliados ocidentais desembarcaram nas praias da região da Normandia, na França, numa das ações militares mais significativas daquele conflito, para libertar aquele país da cruel ocupação alemã.

O tempo da igreja é caracterizado pela tensão entre o “já cumprido” e o “ainda não concluído”. Para explicar este aspecto do ensino bíblico, o teólogo luterano Oscar Cullmann usou como metáfora esta batalha decisiva da Segunda Guerra. A invasão da Europa aconteceu em 6 de junho de 1944, no Dia D. Nas praias da Normandia foi travada a batalha decisiva, ainda que o Dia V, o dia da vitória final na Europa, somente tenha ocorrido depois, em 8 de maio de 1945, com a capitulação alemã. Nosso Dia D já ocorreu na morte e ressurreição de Cristo, e agora esperamos o dia da vinda de Cristo, o Dia V, o Dia da Vitória, quando o inimigo será derrotado total e finalmente.

Dois filmes sobre esta batalha: O mais longo dos dias (1962) e O resgate do soldado Ryan (1998).

Três livros para quem quiser ler mais sobre o Dia D: Stephen E. Ambrose, O Dia D: 6 de junho de 1944 (Rio de Janeiro: Bertrand Brasil 2005); Antony Beevor, Dia D (Rio de Janeiro: Record, 2010); Cornelius Ryan, O mais longo dos dias (Porto Alegre: L&PM, 2013).

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[Foto tirada em Utah Beach, Normandia, França, em 2014]