“NÃO HÁ ESFORÇO SEM ERROS”

Não é o crítico que importa; não é o homem que aponta como o homem forte tropeça ou onde o homem que faz poderia ter feito melhor. O crédito pertence ao homem que de fato está na arena, cujo rosto está sujo de poeira, suor e sangue, que se esforça com valentia, que erra e fracassa várias vezes, porque não há esforço sem erros ou fracassos, mas que conhece o grande entusiasmo, as grandes devoções, que se entrega por uma causa válida; que, em sua melhor hora, conhece, enfim, o triunfo da grande conquista; e que na pior delas, se falha, ao menos falha por ousar com grandeza, de forma que seu lugar nunca estará entre aquelas almas frias e temerosas que não conheceram nem vitória, nem derrota.

– Theodore Roosevelt

NÃO HÁ ESFORÇO SEM ERROS

Acaso você não vê que Paulo pôs o mundo inteiro para correr, que ele era mais forte do que Platão e todos os demais? Mas isso ocorreu por causa de seus milagres — você dirá. Não só pelos milagres, pois, se examinar os Atos dos Apóstolos, você o encontrará muitas vezes prevalecendo com seu ensino.

João Crisóstomo,“Tito”, in: Comentário às cartas de São Paulo, Série Patrística (São Paulo: Paulus, 2013), vol. 3].

REBELIÃO vs. REVOLUÇÃO

É importante depurar a linguagem. Conservadores não são “revolucionários”, nem fazem “revolução”. Eles são “rebeldes” e fazem “rebelião” contra governantes que perdem sua legitimidade e passam a tiranizar o povo, cerceando suas liberdades.

Cristãos protestantes lideraram rebeliões bem sucedidas: a Guerra Civil Inglesa (1642-1651), a “Revolução Gloriosa” (1688), a Independência Americana (1775-1783), e a demolição do comunismo na Alemanha e na Romênia (1989). Em cada uma destas rebeliões cristãos protestantes estiveram intensamente envolvidos, e ao fim das mesmas as nações foram transformadas – para melhor.

A Operação Valquíria (1944), a tentativa malsucedida para decapitar o nacional-socialismo (que era um movimento revolucionário), também foi uma ação rebelde, liderada por militares e civis cristãos, católicos e protestantes. Mesmo não conseguindo encerrar a guerra, os que pagaram com a vida por se envolverem na fracassada operação são celebrados hoje como heróis, na Alemanha.

“Call me rebel, call me traitor, call me patriot if you like. But if you infringe my freedom, then I promise: I WILL FIGHT!”

[Me chame de rebelde, me chame de traidor, me chame de patriota se você quiser. Mas se você infringir a minha liberdade, então eu prometo: EU VOU LUTAR!]

– Barrett Tillman, “I Will Fight”

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BAILE DE MÁSCARAS

O grande baile de máscaras do mal confundiu todos os conceitos éticos. Para a pessoa que vem de nosso universo conceitual ético tradicional, é realmente desconcertante que o mal possa tomar a forma da luz, da ação beneficente, da necessidade histórica, da justiça social. Para a pessoa cristã que vive a partir da Bíblia, isto justamente é a confirmação da maldade abissal do maligno.

Dietrich Bonhoeffer, Resistência e submissão (São Leopoldo: Sinodal, 2003), p. 28.

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EINSTEIN E A POSTURA DA IGREJA EVANGÉLICA

No Brasil a esquerda constituiu um estado dentro do estado; criou um governo dentro do governo; governou um outro país dentro deste país; expropriou a população dos bens do seu país – em síntese, no Brasil a esquerda usou a democracia para solapá-la.

Em 1934, Albert Einstein, provavelmente o maior cientista contemporâneo, foi entrevistado por um jornal americano, e disse o seguinte sobre os pastores da “igreja confessante” (Bekennende Kirche), que resistiu ao nazismo, na Alemanha:

Tendo sido sempre um fervoroso adepto da liberdade, dirigi minha atenção para as Universidades assim que a revolução eclodiu na Alemanha para constatar que elas se refugiaram no silêncio. Então voltei-me para os editores de renomados jornais, que se arvoravam fieis campeões da liberdade, embora ultimamente escreveram artigos amenos. Esses homens, bem como as Universidades, ficaram reduzidos ao silêncio em poucas semanas. Aí eu me dirigi aos autores individualmente, àqueles que se faziam passar por guias intelectuais da Alemanha e entre os quais se achavam muitos que com frequência tinham debatido a questão da liberdade e seu lugar na vida moderna. Eles são, por sua vez, muito idiotas. Somente a igreja se opôs à luta que Hitler empreendia contra a liberdade. Até então, eu não tinha nenhum interesse pela igreja, mas agora sinto grande admiração e estou bastante atraído por ela, que teve a coragem persistente de lutar em favor da verdade espiritual e da liberdade moral. Sinto-me obrigado a confessar que agora admiro aquilo que costumava considerar de pouco valor.

Diante da atual conjuntura social e política, o que escreverão no futuro de nós, pastores e professores de teologia?

HELMREICH, Ernst C. The German Churches under Hitler: Background, Struggle, and Epilogue. Detroit, MI: Wayne State University, 1979, p. 345, citado em: DOCKERY, David S. & GEORGE, Timothy. A grande tradição intelectual cristã: um guia de estudos. São Paulo: Cultura Cristã, 2015, 65.

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SOBRE DEBATES TEOLÓGICOS NA INTERNET

Trecho da introdução de J. I. Packer no seu livro “Entre os Gigantes de Deus”, a ser republicado pela Editora Fiel. Packer trata dos efeitos que o estudo teológico deve produzir no coração do estudante. O que se percebe em muitos dos debates teológicos na internet parece indicar que a imaturidade espiritual e intelectual é um problema sério do evangélico médio brasileiro.

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Os puritanos me fizeram perceber que toda teologia também é espiritualidade, no sentido de exercer uma influência, boa ou má, positiva ou negativa, no relacionamento ou falta de relacionamento das pessoas com Deus. Se a nossa teologia não nos reaviva a consciência nem amolece o coração, na verdade endurece a ambos; se não encoraja o compromisso da fé, reforça o desinteresse que é próprio da incredulidade; se deixa de promover a humildade, inevitavelmente nutre o orgulho. Assim, aquele que expõe teologia em público, seja formalmente, no púlpito ou pela imprensa, ou informalmente, em sua poltrona, deve pensar muito sobre o efeito que seus pensamentos terão sobre o povo de Deus e outras pessoas.

[Agradeço ao Tiago Santos por me chamar atenção para esta citação]

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Feliz Natal a todos!

“Deus onipotente, que nos deste teu unigênito Filho para que tomasse sobre si a nossa natureza, e nasceste neste tempo de uma Virgem pura; concede que nós, renascidos e feitos teus filhos por adoção e graça, sejamos de dia em dia renovados por teu Santo Espírito; mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.”

[Coleta para a Natividade de Nosso Senhor, Livro de Oração Comum]

[Imagem: Gari Melchers’ The Nativity]

John Knox trovejando na Escócia

“Se os seus príncipes excederem os seus limites, Madame [Mary], sem dúvida poderão ser resistidos, ainda que pela força. Pois não existe mais grande honra, maior obediência, dada a reis e príncipes, do que a que Deus ordenou… É assim, Madame, o caso de príncipes que assassinam os filhos de Deus que lhes são súditos. Seu cego zelo nada mais é que um mui louco furor, e portanto, tomar a espada das mãos deles, amarrar essas mãos e conduzi-los à prisão até que cheguem a um entendimento mais sóbrio não é desobediência contra príncipes, e sim, justa obediência, pois concorda com a vontade de Deus.”

[Citado in John Howie, The Scots Worthies, p. 55]