SOBRE OS “CRISTÃOS PROGRESSISTAS”: QUALIFICAÇÕES E GRADAÇÕES

Tendo escrito dias atrás sobre o que parece ser a rejeição, por parte dos “cristãos progressistas”, daquilo que é considerado o ensino consensual cristão, tanto doutrinário como ético, deram-me pelo menos duas respostas curiosas.

Uma é que eu trato todos os esquerdistas ou progressistas sem distinguir nuances políticas.

Aqueles que leram meu livro Contra a Idolatria do Estado devem ter percebido que ali não faço críticas à social-democracia – pois “reconheço na social-democracia uma esquerda legítima, da qual se pode discordar com respeito e abertura ao diálogo. Curiosamente, porém, (…) na presidência da república brasileira, essa social-democracia foi rotulada de ‘conservadora’, ‘direitista’ e ‘neoliberal’ por partidos de esquerda e extrema-esquerda” (p. 131).

Mas é mais fácil acreditar em Coelhinho da Páscoa ou Papai Noel que achar que adeptos do PT, PSOL, PCdoB ou PSTU são social-democratas. Por suas posturas e ideias defendidas, podem ser melhor caracterizados como adeptos da extrema-esquerda, isso sim.

Outra reclamação é que fiz acusações genéricas, colocando todos os “cristãos progressistas” juntos. Mas, se observarem o meu texto, em oito parágrafos se lê:

“Até que ponto…”

“Parece que há…”

“Havendo, de fato…”

“…parece-me que…”

“Se isso é assim…”

Foi concedido o benefício da dúvida aos assim chamados “cristãos progressistas” brasileiros. Mas as demonstrações de ódio e virulência, por conta de alguns, parecem ter provado meu argumento naquela postagem.

E basta familiaridade com a literatura de alguns dos principais “cristãos progressistas” – Karen Armstrong, Rob Bell, Marcus Borg, John Dominic Crossan, Lloyd Geering, Brian McLaren e John Shelby Spong, citando alguns – para saber que a situação é mais séria que muitos pensam.

Doutrinas essenciais que fazem parte do ensino consensual cristão, comum a católicos, protestantes e ortodoxos, foram rejeitadas ou reinterpretadas por estes: a crença no Deus uno e trino, em sua revelação infalível e autoritativa nas Escrituras Sagradas, no pecado original e pessoal, na salvação exclusiva pela livre graça, no nascimento virginal de Cristo Jesus, em seu sacrifício sangrento na cruz, expiatório e substitutivo, em sua ressurreição corporal e em sua segunda vinda, única, visível e pessoal.

E o que assume status de dogma inquestionável para estes “cristãos progressistas” são temas como união civil de pessoas do mesmo sexo, aborto, maioridade penal e todo tipo de estatismo, além da ênfase oriunda da nova esquerda de que a classe que salvará o mundo será a dos “excluídos” e das minorias: mulheres, negros, homossexuais e índios.

Assim sendo, “cristãos progressistas” se submetem a uma Ideia, não à Revelação. Estão muito mais próximos do gnosticismo que do cristianismo. Portanto, podem ser caracterizados como “cavalos de Tróia” dentro da igreja cristã. E se há cristãos de verdade endossando ideias progressistas, eles o fazem com prejuízo da coerência e da maturidade cristãs.

A imagem pode conter: céu, atividades ao ar livre e natureza