“TRADUTTORE, TRADITORE”

A obra Conquistadores, de Roger Crowley, é ótima. É a narrativa de como Portugal construiu um grande império marítimo, dando origem à primeira economia global. São abordadas a supremacia marítima de Portugal, a descoberta do caminho marítimo para a Índia, as vitórias sobre governantes muçulmanos e o domínio do comércio das especiarias. O autor também destaca personalidades como D. Manuel I, D. João II, Afonso de Albuquerque e Vasco da Gama. É um relato essencial e atualizado de como uma das menores e mais pobres nações da Europa pôs em movimento as forças da globalização que hoje dão forma ao mundo. E, como o autor sugere, o mundo tal como o conhecemos, e que começou a ser construído pelas viagens dos portugueses, está acabando.

A edição brasileira, da Editora Planeta, ficou muito melhor que a edição portuguesa, com capa dura e imagem mais bonita que a capa de lá.

Mas cometeu-se um erro grosseiro na tradução (provavelmente ocasionado por falta de revisão especializada).

Na p. 384 se lê, a respeito de Luiz de Camões, autor de Os Lusíadas: “enquanto seu amante chinês se afogava” (while his Chinese lover drowned, no original).

Na verdade, a frase deve ser traduzida como: “enquanto sua amante chinesa se afogava”.

O nome da amante chinesa de Camões, que faleceu num naufrágio no delta do Mekong enquanto ele salvava o manuscrito de sua obra mais famosa, é conhecido: Tin Nam Men ou Dinamene. Ela é a inspiração de dois sonetos lindíssimos do grande poeta português: “Alma minha gentil, que te partiste…” e “Ah! Minha Dinamene! Assim deixaste…”.
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Tomara que tal erro venha a ser corrigido em uma revisão posterior.

Mas não me animo muito. Escrevi para três e-mails de contato da editora – e não recebi nenhuma resposta.

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