“PERDOAREMOS O CRIME DO TRAFICANTE PORQUE ELE É O BENFEITOR DA FAVELA?”

O senador Magno Malta (PR-ES) encerrou sua participação na comissão do impeachment na sexta-feira, 6 de maio, com um discurso memorável. Trecho principal:

“(…) Nós estamos no antepenúltimo capítulo do fim do Foro de São Paulo.

Todos nós brasileiros sonhamos o sonho que eles nos conduziram a sonhar. E por alguns momentos milhares – milhares e milhares – acharam que deixaram de ser pobres e ingressaram na classe de pobres emergentes. De repente, o sonho acabou.

Eu acordei um pouco antes, mas a nação perplexa [está] acordada agora: desempregada, contas a pagar, nome na Serasa. [Do] Minha Casa Minha Vida, os mais simples não têm como – desempregados – pagar sua prestação. Ainda que ínfima, não têm como pagar. A nação [está] desmoralizada.
Não podemos evocar o conjunto da obra [de Dilma] porque as pedaladas simplesmente se revestem de um caráter: a gota d’água. Eles acreditaram na impunidade. Para tanto, mentiram no processo eleitoral e, agora, ninguém pode evocar [o conjunto da obra], mas eles podem.

‘Porque essa mulher fez tanto! O Lula também. O Bolsa-Família. Olhem aí as escolas técnicas… Quem é que pode desmerecer isso? Ninguém pode.’

Mas: perdoaremos o crime do traficante porque ele é o benfeitor da favela?

O traficante por acaso não deve ser preso e votaremos aqui uma mudança na lei para isentar qualquer traficante de droga porque ele dá cesta básica, porque compra bujão e paga o enterro das pessoas? E muitas vezes enterro [em decorrência] de matanças que eles mesmos mandaram fazer.

Porque paga a festa do Dia das Mães? Porque ele é o benfeitor onde o Estado é ausente? Perdoaríamos, pois, o traficante por isso?

O que se pede neste momento é que se tenha misericórdia, aliás uma palavra que ela [Dilma] não conhece, nunca pediu e jamais pedirá porque eles são incapazes de reconhecer que cometeram um erro sequer. Eles só acertaram. A arrogância! Só acertaram!
Então perdoaremos aqueles que cometeram um crime, exatamente porque ele é a presença onde há ausência do Estado?

Minha mãe não está mais aqui. Se estivesse me vendo na televisão, eu diria: mamãe, me acorde. Eu só ‘falto’ ver chover pra cima porque o resto tudo eu já vi. ‘Golpista’? O sonho acabou. Esse é o capítulo antepenúltimo do fim do Foro de São Paulo (…).”

Transcrição e vídeo completo: http://veja.abril.com.br/…/video-perdoaremos-o-crime-do-tr…/

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