A PROPÓSITO DOS 71 ANOS DA MORTE DE DIETRICH BONHOEFFER

Em 20 de julho de 1944, um grupo de oficiais do exército alemão tentou dar um fim ao nazismo, por meio da Operação Valquíria. Os principais envolvidos nesta tentativa de remover um tirano do poder eram cristãos, como o major-general Henning von Tresckow e o coronel Claus von Stauffenberg. Entre os implicados nesta ação militar estava Dietrich Bonhoeffer, um destacado pastor luterano e agente duplo do serviço de inteligência militar, que por essa razão foi martirizado num campo de concentração em abril de 1945, aos 39 anos de idade.

Após 1950, seus escritos ocasionais e fragmentários foram redescobertos, ainda que recebendo dúbia interpretação. Por um lado, muitos evangélicos rejeitam os escritos de Bonhoeffer, tratando-os como mera variante do liberalismo teológico do século 19. Com isso, esta tradição deixa de se beneficiar de livros valiosos, como Vida em comunhão e Discipulado, e perdem de vista percepções instigantes e provocadoras, como a religião como idolatria, o tenso equilíbrio entre o viver no mundo como se Deus não existisse e a necessidade da disciplina arcana por parte da igreja, e a fraqueza de Deus em Cristo revelada na cruz. Por outro lado, de acordo com seu amigo e biógrafo Eberhard Bethge, intérpretes liberais falham em manter uma continuidade entre seus escritos mais antigos, cujo teor ele mantinha integralmente, e suas cartas da prisão, extrapolando suas ideias “no interesse do marxismo”. De seus escritos emerge um quadro teológico com nuances e complexidades, e tanto evangélicos como liberais permanecem desconfortáveis diante do quadro maior, no qual a sua oposição política ao nazismo foi resultado direto de sua teologia.

No fim, a pergunta importante é: o que podemos aprender dos escritos de Bonhoeffer para sermos melhores cristãos? Logo, ainda que discordando de algumas de suas posições, especialmente quando à inspiração da Escritura, deve-se reconhecer que ele foi um seguidor de Cristo que cria no evangelho e que a nossa fé pode ser encorajada pela leitura de seus livros.

Hoje, os que visitam o Centro Memorial da Resistência Alemã, no Bendlerblock, em Berlim, encontram uma sala exclusivamente dedicada à memória de Bonhoeffer, no prédio que homenageia aqueles que resistiram ao nazismo na Segunda Guerra Mundial.

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