HÚBRIS

Dilma Rousseff teve todas as chances de encerrar seu mandato com dignidade. Poderia, no começo do ano passado, ter se desligado do PT e elaborado um plano de salvação nacional, convocando os principais partidos para ajudar. Ou poderia alegar problemas de saúde e simplesmente ter renunciado à presidência, indo morar numa capital europeia.

Mas não dá para esperar muito de uma pessoa que disse que “podemos fazer o diabo quando é hora de eleição”. Hoje o PMDB desembarcou do governo. Em breve PSD, PP e PR seguirão o mesmo caminho. O misto de cegueira ideológica, erros políticos, corrupção desenfreada, divisão social e cultural e “húbris” cobram alto preço da esquerda. O impeachment parece questão de semanas.

Dilma se reelegeu com apenas 54,5 milhões de votos, número que equivale a 38% do total de eleitores no país, cerca de 142 milhões. No momento, a única coisa que governistas podem fazer é recorrer ao desespero de se dizerem “legitimados pela sociedade”. Sério? Qual sociedade? Do PT? Do PSOL? Do PCdoB? Da CUT?

Ah!

“Húbris” é confiança excessiva, orgulho exagerado. O PT é, na esfera política, um dos melhores exemplos modernos de húbris. E como disse o poeta grego Eurípedes, “aquele a quem os deuses querem destruir, primeiro deixam-no louco”.

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