A FALTA DE LIDERANÇAS POLÍTICAS

A crise política que passamos, a pior da história da república brasileira, é acentuada por não termos políticos à altura da mesma; com honrosas exceções, como, por exemplo, Ronaldo Caiado (DEM-GO), Raul Jungmann (PPS-PE), Onyx Lorenzoni (DEM-RS) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), os senadores e deputados da oposição não têm demonstrado estofo e capacidade de fazer frente ao descalabro do governo esquerdista do PT. A forma como alguns líderes do PSDB foram tratados em São Paulo, em 13 de março, mostra que os social-democratas estão aquém do clamor das ruas, que pede “fora Dilma”, enquanto o partido se porta de forma errática. A permanência de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) à frente da câmara – e não custa lembrar que ele negociou com o PT até o último momento a salvação do próprio cargo – só prejudica a credibilidade do processo de impeachment de Dilma. E Marina Silva (REDE) parece pairar etereamente acima de tudo o que está acontecendo, como se o momento não lhe dissesse respeito; e quando fala, o faz por enigmas, esperando que a presidência lhe caia no colo em 2018.

Para tornar a situação mais sombria, o nome de Aécio Neves (PSDB-MG) foi citado em pelo menos dois momentos na delação de Delcídio. A questão do Banco Rural parece mais forte, onde seu nome aparece ao lado do de Eduardo Paes (PMDB-RJ), acusados de atuarem para evitar a quebra de sigilo do Banco Rural na CPI dos Correios, que com o tempo passou a investigar o escândalo do “mensalão”. A assessoria do senador mineiro disse que “Aécio Neves nunca tratou de assuntos relacionados à CPI dos Correios com o senador Delcídio do Amaral e nem sequer estava no Congresso Nacional na época”, pois era governador de Minas Gerais. Não custa lembrar que este foi o momento em que a liderança do PSDB atuou para salvar Lula das consequências do escândalo do “mensalão”.

Mas que os esquerdistas, que gostam de relativizar a corrupção por usarem-na a serviço de um projeto de poder, não comemorem antecipadamente. A citação de Aécio em conexão com Furnas coloca os petistas numa sinuca: se acusarem e exigirem punição para o senador mineiro, terão de admitir que Lula (citado 186 vezes na delação) se envolveu diretamente na situação. De acordo com as palavras atribuídas a Lula, por Delcídio: “É que o [José] Janene [PP] veio me pedir pela permanência dele, depois o Aécio e até o PT, que era contra, já virou a favor da permanência dele. Deve estar roubando muito”. E Lula manteve o diretor citado em seu cargo, “roubando muito”, de acordo com as palavras que lhe foram atribuídas.

Investigações anteriores contra Aécio Neves foram arquivadas pelo MPF. De toda forma, como não tenho partido ou político de estimação, anseio que se investigue tudo. E que quem for condenado, que pague. E, se for o caso, que se refunde a República.

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