“ABORTO EM CASOS DE MICROCEFALIA DIVIDE IGREJAS CRISTÃS”

Uma reportagem d’O Globo de semana passada anunciava com este título matéria sobre a realização de aborto em casos de microcefalia. Segundo o jornal, esta “não é uma questão consensual entre as várias igrejas cristãs no Brasil e seus representantes religiosos”.

A matéria diz que “enquanto a Igreja Católica (…) é contra a possibilidade de interromper a gestação”, no que concorda o representante da Igreja Síria Ortodoxa de Antioquia, “a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil ainda não tem posição formada, e setores da Igreja Batista acham que a mulher deve ter direito ao aborto nesses casos.”

Aquele que, citado na matéria, opinou a favor do aborto representa um grupo minoritário no país, a Aliança de Batistas do Brasil (que congrega talvez 0,01% do total de evangélicos no país, e que, como reconhece, “não representa todos os batistas brasileiros”). De toda forma, o que parece servir de pressuposto a tal defesa é a teologia liberal, que nega, entre outras doutrinas cristãs, a inerrância e autoridade das Escrituras, a única Palavra de Deus.

Além de questões bíblicas e doutrinais que podem ser destacadas, e do oportunismo espantoso dos grupos pró-aborto, o juiz do Tribunal de Justiça do Distrito Federal Álvaro Ciarlini, ressalta que “a tentativa de legalizar o aborto pelo risco de microcefalia não tem respaldo constitucional, pois a legislação prevê aborto apenas em casos de estupro e risco de morte da gestante. A microcefalia também não poderia ser comparada à anencefalia, já que não haveria incompatibilidade com a vida (argumento usado pelo STF para liberar o aborto de fetos anencéfalos), mas possível comprometimento de atividades cognitivas e motoras”. O magistrado ainda afirma: “Estamos dispostos a pagar o preço do alargamento das hipóteses para aborto em casos de crianças que apresentem algum comprometimento neurológico? É a lógica da eugenia”.

A CNBB classifica o aborto em caso de microcefalia como “total desrespeito ao dom da vida”. A reportagem poderia ter ouvido, por exemplo, os representantes das Assembleias de Deus, da Convenção Batista Brasileira, da Convenção Batista Nacional e da Igreja Presbiteriana do Brasil. Em todos os casos, até onde sei, a resposta seria idêntica à da CNBB.

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