SOBRE A NOVA CAPA DA CHARLIE HEBDO

A nova capa do jornal Charlie Hebdo (que me recuso a reproduzir, tão tosca que é), publicada um ano depois dos atentados de 7 de janeiro de 2015, mostra “Deus” com uma AK-47 a tiracolo, barba, mãos e pés com marcas de sangue, sob o seguinte título: “Um ano depois, o assassino ainda está solto”.

O diretor do jornal, Laurent Sourisseau, conhecido como Riss, assina um editorial raivoso, em que defende a laicidade, contra os “fanáticos embrutecidos pelo Corão e os carolas de outras religiões que desejaram a morte do jornal por ousar rir das religiões”.

Se Riss honrasse os seus amigos assassinados e a liberdade de expressão, ele teria republicado as charges do profeta na capa do pasquim, e não uma charge atacando “Deus”.

Se Riss agisse com hombridade, ele teria criticado os assassinos dos seus amigos, os radicais islamitas, e não “Deus” e os “carolas de outras religiões” – por suposto, os cristãos, alvo frequente de charges grosseiras reproduzidas no pasquim, e que nunca atentaram contra o mesmo.

Atribuir a culpa pelos atentados terroristas às religiões é o reconhecimento da rendição incondicional do jornal Charlie Hebdo aos seus algozes islamitas. Assim, o editorial de Riss é o cúmulo da covardia e da canalhice intelectual.