A Cidade de Deus

Os bárbaros tomaram a capital. A grande cidade caiu. Seus monumentos foram predados. As riquezas foram saqueadas. As luzes da aprendizagem e da cultura começaram a ser apagadas. A cidade dos homens virou pó. Mas a Cidade de Deus invencível, a comunidade fundada no amor, permanecerá para sempre.

Em tempos como os que vivemos, há imensa sabedoria bíblica na grande obra de Agostinho de Hipona, “A cidade de Deus” (Ed. Vozes). Recomendo este livro clássico a todos que querem usar este tempo de crise para amadurecimento e fortalecimento na fé.

Dois trechos:

“Dois amores fizeram, pois, duas cidades: o amor de si até o desprezo de Deus, a cidade terrestre; o amor de Deus até o desprezo de si, a Cidade celeste.

Uma se glorifica em si mesma, a outra no Senhor. Uma pede sua glória aos homens; para a outra, Deus, testemunha de sua consciência, é sua maior glória. Uma em sua glória levanta a cabeça; a outra diz a seu Deus: ‘Tu és a minha glória, aquele que ergue minha cabeça’. Uma, em seus chefes e nas nações que ela subjuga, é dominada pela paixão de dominar; na outra, as pessoas se prestam mutuamente serviço por caridade, os chefes dirigindo, os súditos obedecendo. Uma, em seus senhores, ama sua própria força; a outra diz a seu Deus: ‘Eu te amor, Senhor, minha força’.

Ainda: numa, os sábios, vivendo segundo o homem, procuraram os bens do corpo ou da alma ou dos dois; ao passo que os que puderam conhecer a Deus ‘não lhe renderam nem glória, nem a ação de graças que são devidas a Deus; pelo contrário, eles se transviaram em seus vãos raciocínios e seu coração insensato se tornou presa das trevas’ (quer dizer, exaltando-se em sua sabedoria sob o império do orgulho), ‘eles se tornaram estultos; trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens que representam o homem corruptível, pássaros, quadrúpedes, répteis’ (porque à adoração de tais ídolos eles levaram os povos ou os seguiram nisto); ‘adoraram e serviram à criatura em lugar do Criador, que é bendito eternamente’.

Na outra, pelo contrário, há apenas uma sabedoria, a piedade que presta ao verdadeiro Deus o culto que lhe é devido, e que espera como recompensa na sociedade dos santos, homens e anjos, ‘que Deus seja tudo em todos’.” (A Cidade de Deus 14.28)

“Incomparavelmente mais gloriosa é a cidade do Alto, onde a vitória é a verdade, onde a dignidade é a santidade, onde a paz é a felicidade, onde a vida é a eternidade.” (A Cidade de Deus 2.29)

ATENÇÃO: A Editora Vozes disponibiliza esta obra em formato de bolso, com ótimo preço (v. 1: R$ 34,90/v. 2: R$ 44,90), na coleção “Vozes de Bolso”.