O choque das civilizações

“VAMOS ANIQUILAR OS INIMIGOS DA REPÚBLICA” (Manuel Valls)

O que aconteceu em Mariana-MG é uma tragédia, mais uma que ocorre como triste rotina em nosso país, caracterizado por um sistema de justiça lento e confuso, que favorece a impunidade. Escandalosa e vergonhosamente, somente em 2014 foram assassinadas 56.337 pessoas no Brasil. Outras 40,5 mil foram vítimas do trânsito em 2013, etc. Mas o frio assassinato em Paris de 132 pessoas em 13/11/2015 parece que terá imensas consequências.

Em resposta ao atentado terrorista perpetrado por islamitas em Paris, ontem a Armée de l’Air realizou ataques aéreos aos redutos do Estado Islâmico em Raqqa, na Síria, atingindo centro de comando e controle, campo de treinamento e depósito de munições. Manuel Valls, primeiro-ministro francês, confirmou que mesquitas radicais serão fechadas na França. Nesta madrugada houve pelo menos uma dezena de prisões em três cidades francesas, e um grande arsenal, incluindo uma bazuca, foi capturado. Serviços de inteligência alertam que outros atentados estão sendo planejados contra países europeus. E Estados Unidos e Rússia já sinalizam a possibilidade de agirem militarmente juntos, com o apoio da União Europeia, contra os jihadistas no Oriente Médio.11988426_952369348170147_1429435184575744297_n

Portanto, por mais que as nossas tragédias cotidianas sejam graves, o que os terroristas islamitas fizeram em Paris pode conduzir-nos a algo parecido com uma Terceira Guerra Mundial, com consequências imprevisíveis.

A leitura obrigatória e provocadora para aqueles que querem entender o cenário que vai se desenhando é a obra “O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial”, de Samuel P. Huntington (1997): “No choque das civilizações, a Europa e os Estados Unidos se juntarão ou serão destruídos separadamente. No choque maior, o ‘choque verdadeiro’, global, entre a Civilização e a barbárie, as grandes civilizações do mundo, com suas ricas realizações em religião, arte, literatura, filosofia, ciência, tecnologia, moralidade e compaixão, também se juntarão ou serão destruídas separadamente. Na era que está emergindo, os choques das civilizações são a maior ameaça à paz mundial, e uma ordem internacional baseada nas civilizações é a melhor salvaguarda contra a guerra mundial” (p. 410).

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