Fascismo de esquerda

Em Fascismo de esquerda, Jonah Goldberg defende que um tipo de fascismo suave, bem-intencionado, ressurgiu, e isso se reflete na tendência crescente de calar liberdades individuais ou liquidar o “império da lei” em nome da justiça social, da saúde pública ou de outro bem comum. E são os políticos de esquerda, justamente os que geralmente usam o adjetivo “fascista” como arma contra seus adversários, os principais adeptos dessa nova expressão do fascismo.

Como o autor documenta, do nacionalismo ao expansionismo, da eugenia ao racismo, da xenofobia ao antissemitismo, “quase tudo o que se atribui à direita foi, em algum momento, testado ou adotado pela esquerda americana, cujos heróis e paladinos [retratados no livro] saem, se não desmoralizados, decerto chamuscados”, nas palavras de Nelson Ascher. Dos quatro grandes presidentes democratas do século 20, Woodrow Wilson, Franklin Roosevelt, John Kennedy e Lyndon Johnson, “nenhum emerge incólume de Fascismo de Esquerda. Embora seus governos não tenham sido fascistas, Goldberg mostra que eles comportavam elementos do fascismo”, por meio do uso maciço da propaganda e da censura, do desenvolvimento de uma mentalidade coletivista e do assistencialismo. Até mesmo o “conservadorismo compassivo” do republicano George W. Bush revela traços deste tipo de fascismo. Ainda assim, o autor não cai no erro grosseiro de ver nestes uma pura encarnação do fascismo europeu. Mas, como João Pereira Coutinho escreve, a obra reafirma “que a servidão começa quando os indivíduos permitem que o Estado regule e determine o que somos e fazemos. É esse ‘fascismo simpático’, hoje disseminado pelo Ocidente, que normalmente precede versões mais antipáticas”.11038259_825454414194975_4211830489850101697_o