O Século – continuação

LEITURAS DE FÉRIAS II

O segundo volume da série O Século, que cobre os anos 1930-1950, começa com a descrição da tomada de poder nazista na Alemanha e a Guerra Civil na Espanha. Mas, por volta da metade do livro, quando chega à II Guerra, a qualidade cai, especialmente por causa de histórias implausíveis e erros históricos. O que salva esta parte é a narrativa do envolvimento dos personagens alemães da trama com a resistência católica ao programa de eutanásia nazista, Action T4.

Se a segunda metade do segundo livro dá a impressão de ter sido escrita de forma preguiçosa, o terceiro livro, que cobre os anos 1960-1990, se torna uma longa e chata pregação dos valores da esquerda, apresentados de forma rasa. Todos os tópicos de valor para o politicamente correto são endossados fervorosamente pelos personagens – que diferente dos apresentados nos volumes iniciais, são simplistas e moralmente rasos. Personagens importantes nos primeiros livros somem, sem uma conclusão para suas histórias. Fieis pentecostais são retratados de forma respeitosa, já o catolicismo (especialmente o polonês, responsável pela queda do comunismo naquele país) é descrito de forma preconceituosa. Personalidades politicamente conservadoras são sempre caricaturadas. Ronald Reagan é grosseiramente vilipendiado (o encontro de cúpula com Gorbachev em Reykjavik, que resultou no Tratado de Forças Nucleares de Alcance Intermediário, nem é referido), e Margaret Thatcher e João Paulo II não são mencionados uma única vez. Por outro lado, Jimmy Carter, um dos mais medíocres presidentes dos EUA, é omitido – e a alusão a Barack Obama no fim do livro é constrangedora.

A melhor parte trata da crise dos misseis em Cuba, e a mais fraca é a descrição da vida na União Soviética durante o regime comunista – aliás, para uma série que pretendia cobrir o século 20 a omissão da guerra do Afeganistão e do boicote ocidental à Olimpíada de Moscou são imperdoáveis. E a descrição da queda do muro de Berlim no livro é anticlimática. Diferente do primeiro volume, os dois últimos são decepcionantes. E, especialmente no terceiro, a falha mais grave é a equivalência moral que o autor tenta criar entre a opressão nos países comunistas e as lutas pelos direitos civis nos EUA. No fim, a trilogia O Século se revela uma pobre tentativa de reescrever a história do século 20.11025120_807090466031370_8945906883597622780_n